terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

As massagens pagam-se caras

Boa-noite a todos! É verdade, estou tomada de uma rara onda de boa-disposição sem motivo algum. Estou em Valença desde o passado Sábado. Vim com o meu irmão Bruno visitar os meus avós, fazer mais um retiro espiritual (que estava a precisar) e relaxar na capital das massagens. Abençoada mãe da ex-namorada do meu tio-avô Vítor que ensinou a minha avó as técnicas básicas de fazer massagens! LOL Estão a ver o meu ar de neta exploradora da própria avó: "Faz-me uma massagem...". Ao que ela responde: "As massagens pagam-se caras!". Mas eu não me deixo demover: "Eu vou embora amanhã!...". O que os avós não fazem pelos netos?

De qualquer forma, não estou aqui eufórica porque tive direito a duas massagens nos últimos dois dias... E também não vos posso dizer porquê. Simplesmente estou. Também ajuda o meu irmão, que detesta mexer uma palha em tudo relacionado com a escola e/ou estudos, estar a portar-se razoavelmente bem a ler aos poucos um livro de contos que eu lhe comprei para ele ler durante as férias. De maneira que me tenho sentado com ele a ler em voz alta para me assegurar que ele compreende o que está a ler. Estou bastante satisfeita com ele. Ontem à noite, depois de ter feito uma birra por não querer ler mais à tarde e eu o ter obrigado a prosseguir, até tomou a iniciativa de me vir pedir para me sentar com ele a ler outros dois contos! Esplêndido! Por outro lado, passa o dia aos tirinhos com uma pistola de pressão de ar. As bolinhas, com cerca de 5 milímetros de diâmetro, quando acertam em carne humana magoam! Sinto-me na obrigação de esclarecer, para quem possa estar a ter dificuldade em recordar, que o meu irmão tem 11 anos, quase 12!
Em abono da verdade tenho de dizer que, apesar de não estar a ser um tempo de qualidade aquele que estou a passar com o meu irmão, as crianças conseguem tornar os nossos dias mais alegres e as nossas preocupações mais leves.
Ah! Por falar em irmãos, convém não esquecer que no Sábado fui de propósito ao aeroporto, arrastando comigo a minha tia e a Cris (o que não seria tão grave se não fossem 07:30 da madrugada quando saímos de casa), só para estar 10 minutos com a minha adorada irmã. Ela apenas aterrou no Porto para ir de carro até Leiria, onde está a acampar com os escuteiros Leirienses. É impossível explicar o quanto eu tremia de ânsia por a rever. E quando a abracei, aquela coisinha fininha, um verdadeiro pau de virar tripas, não a queria mais largar, sob pena de a sufocar, como ela tanto se queixou.
Já depois de a ter visto chegar e logo partir, não pude deixar de pensar o quanto tinha sido um momento oco. Não me interpretem mal: gostei de ver a minha irmã, adorei estar com ela por muito pouco que tenha sido, não me importei minimamente de me ter esforçado tanto para conseguir uma paga tão pequena. O problema é que depois do "Finalmente! Que saudades! Tenho de ir, adeus!" a vida continuou a decorrer, como se nada tivesse acontecido de extraordinário. E era suposto este ser um momento fora do normal, não? Parece que a ânsia foi mais agradável do que o pós-reencontro. Não era suposto eu sentir-me mais feliz por ter estado com ela? Ou, pelo contrário, sentir-me triste por nos separarmos de novo? Não seria normal uma qualquer reacção ter ocorrido em mim, algo a nível muito profundo no meu interior? É que sentia-me normalíssima!
Será que estou a perder a capacidade de sentir? Recuso-me a viver os momentos mais doces da vida e no seu seguimento sentir-me normal!!!
Para quem tinha começado a escrever tão alegre, despeço-me de vocês com um humor carregado de negro...

3 comentários:

Anónimo disse...

só me fez pensar em como os sentimentos são intensos e importantes e parecem tão inevitáveis quando sentidos mas afinal são efémeros, e no momento a seguir perdem o significado, mudam, passam a ser completamente obsoletos e até se duvida como é que tanta energia foi veículada por aquela emoção.

se calhar as emoções são só a espectativa, o medo, o remorso, e todo o resto é o nosso cérebro a matutar e a remoer tudo na nossa cabeça. as emoções como consequência de estarmos presos nas nossas três dimensões e completamente impossibilitados de dominar a quarta - a que passa pelas nossas janelas.

Anónimo disse...

gostei muito do comentario... =)

Blue!Girl disse...

Eu também gostei muito do comentário, muito obrigada pelo teu pensamento profundo, estranho João.

Mas, agora que já sei que o João não é um estranho, mas sim o João, meu melhor amigo, tenho a dizer que: os sentimentos, as emoções, são tudo! Absolutamente tudo na vida. São a base de tudo. E aquilo que depois fazemos deles, aquilo que "matutamos" e "remoemos", é uma parte tão importante como o primeiro contacto que estabelecemos com o sentir. Já sabes que te acho pessimista e esta tua visão do que é a experiência dos sentimentos e das emoções parece-me muito pessimista. Como eu disse no meu artigo, recuso-me a tornar o desenrolar deste acontecimento isolado num padrão vitalício!