Harry Potter - o fim de uma era
Queridos amigos, leitores, curiosos:
Há pouco mais de meia hora acabei de ler o sétimo e último livro da saga do feiticeiro mais conhecido do mundo inteiro. Como muitas pessoas amantes da leitura, sempre que me cruzo com um livro que me atraia particularmente, desejo o impossível: que nunca chegue ao fim. (Talvez no mundo mágico de Harry Potter - e deito-me a adivinhar, já que a excelentíssima J. K. Rowling nunca se lembrou de inventar tal, ou, pelo menos, não o deu a conhecer através dos seus livros - haja um qualquer feitiço que permita que um livro se prolongue apenas, indefinidamente, eternamente, maravilhosamente, para deleite do leitor que não quer ver a história cativante das suas páginas atingir um fim.) Com todos e cada um dos livros de Harry Potter não foi diferente. E se ao chegar à última palavra de qualquer um dos 6 primeiros livros o sentimento de conclusão era avassalador, a antecipação e a ansiedade pelo próximo livro - e quem está comigo conhece bem as esperas de anos - eram igualmente fortes e constituíam um brilho na alma sombria, uma leve esperança de reencontrar aquele mundo no futuro. Contudo, ao começar a ler Harry Potter and the Deathly Hallows, apoderou-se de mim a compreensão fatalista de que nada mais havia a esperar depois das 607 páginas. Avidamente - já que nem esse sentimento me faria ler o livro mais vagarosamente, meia dúzia de páginas por dia - devorei palavra após palavra, mas não quer isto dizer que deixei de o saborear. Cada momento decisivo mereceu uma aceleração do meu já agitado coração, cada desenvolvimento foi recebido com um mudar de posição corporal, cada nova revelação brindada com um brusco e sonoro suster da respiração. Cedo chegou o culminar da aventura e com ele a inevitável sensação infeliz de "o fim está perto". Sabia que ia ser um momento fortemente emotivo, esperava até algumas lágrimas; mas não passaram de uma ténue ameaça que turvou a minha visão nalgumas passagens. Por mais que haja milhões de pessoas que se riram do que acabei de escrever e acharão patético o que escreverei a seguir, isto é a mais pura das verdades: eu deixei-me tocar profundamente, talvez tanto como os mais fanáticos da saga, por este mundo de fantasia. Ler as últimas páginas foi tão doloroso como preparar-me para a partida de alguém muito querido, ler as últimas linhas foi tão doloroso como ter de me despedir de alguém muito querido, fechar o livro resultou num interno grito lancinante... Depois disso, só o vazio... Um vazio abissal, onde corre um sofrimento gigantesco pela perda de um amigo. Depois de 7 anos desta amizade encantada, já não me pergunto o que faz da obra de J. K. Rowling uma obra tão globalmente apreciada, capaz de gerar ondas de loucura; já não me questiono sobre a grandiosidade da autora nem sobre a magnitude que constitui os seus 7 livros; já não invejo (embora sempre o tenha feito saudavelmente e com enorme admiração) a desmesurada imaginação e o incrível talento da escritora. Depois de 7 anos desta amizade encantada, que guardarei como um dos maiores tesouros deste período da minha vida, apenas posso dizer que Harry Potter e o seu mundo merecem o eterno reconhecimento de ter feito com que sentisse tão realisticamente que eu era mais uma das bruxinhas que integram a história, combatendo o mal, lutando por um mundo melhor, chorando pelas perdas humanas que abalaram todas as personagens, rejubilando com cada triunfo da maior força de Harry Potter, aquela mais subestimada pelo seu inimigo mortal, Lord Voldemort: o Amor. Depois de 7 anos desta amizade encantada, não posso deixar de louvar a brilhante mulher por detrás de toda esta criação, a fantástica J. K. Rowling, concedendo-lhe tão humilde e desnecessariamente - tenho a certeza de que é um dado há muito adquirido - o maior elogio que lhe posso fazer: verdadeiramente mereceu a imortalização do seu génio.
.jpg)
.jpg)


.jpg)


Por fim, chegou a hora de vir para Portugal. Ontem, assim que cheguei ao Porto (depois de uma viagem mais animada do que o normal, acompanhada pela Inês Vieira, e da simpática boleia da sua mãe) fui tratar da mudança de curso, que me tomou o dia todo, embora não tenha ficado nada completamente tratado... Agora estou no Montijo, daqui a pouco vou para o Alentejo passar o resto da semana. Ver se bronzeio um bocadinho, porque as horitas que passei ao sol no terraço no Luxemburgo não me deixaram menos branca. Beijinhos!





E foi este o acontecimento que juntou 5 pessoas da turma. Eu sei, 5 é um número ridículo, mas por muito que quiséssemos, não havia mais ninguém que pudesse vir. Enfim, arranjámo-nos como pudemos e a verdade é que deu para matar saudades dos bons velhos tempos. Aliás, acho que os bons velhos tempos nunca foram assim. Não sei se foi apenas impressão minha, mas pareceu-me que havia uma maior união, uma sintonia que não existia a este nível. É por que só nos damos conta do valor do que temos, quando o perdemos.

Tudo o que é bom acaba depressa. Cedo chegou a despedida. Foi um encontro que deixou água na boca por mais... Pessoal, eu sei que é difícil juntar todos num mesmo país, quanto mais na mesma cidade... Mas para quando uma reunião de turma com um maior número de presenças?
