terça-feira, 22 de agosto de 2006

O meu lugar, a minha terra, o meu país, o meu mundo...

Estou de volta a Vila Nova de Gaia depois de uns breves dias de descanso em Valença do Minho. Os meus avós, claro, adoram ter os netos em casa, queriam que eu ficasse mais uns dias, mas eu precisava de apanhar sol, sob pena de ser confundida com uma albina.

Em Valença, aproveitei para dormir horas a fio, mas também arranjei um tempinho para gastar dinheiro, passear no centro da cidade, visitar a Fortaleza... E ler, obviamente. No entanto, não me atrevo a recomendar os livros que tenho lido na última semana porque não conheço ninguém que, além de mim, aprecie ler aquelas histórias a transbordar de romântico, as típicas variantes da história da Cinderela.
O regresso ao Porto ficou marcado por uma viagem de comboio que demorou o dobro do esperado e anulou qualquer paz de espírito que eu tivesse acumulado durante a minha estadia em Valença. Esta relação que eu tendo a estabelecer entre Valença e recarregar baterias faz lembrar o mito de Anteu. Mas não sei se se poderá aplicar à minha situação: Valença não é exactamente a minha terra de origem.
Na verdade não sei qual é a minha terra de origem. Lá vou eu entrar nas minhas complicações... É verdade que nasci em S. Sebastião da Pedreira (para ser mais precisa, na maternidade Alfredo da Costa), em Lisboa. Segundo os registos oficiais, é esta a minha naturalidade. Contudo, ninguém da minha família é de lá. A família da minha avó paterna é de Portimão; a família do meu avô paterno é do Minho; a minha família materna é de Lamego e aí nasceu a minha mãe. O meu pai nasceu na antiga Rodésia, actualmente Zimbabwé. Para além disso, Silva é um nome de origem judia, logo devo ter origens judaicas pela parte do meu avô materno. Já a minha avó paterna diz que temos antepassados de um país qualquer da Europa do leste. Não são razões suficientes para uma rapariga se sentir dispersa? Alguns poderiam dizer-me para considerar como minha terra aquele sítio onde sempre vivi. Ora, em criança vivi em Lisboa ou arredores, em adolescente vivi no Luxemburgo e, agora que vou entrar na fase adulta, venho viver para Vila Nova de Gaia, onde, de resto, passei férias com a minha prima desde os 4 anos. E, mesmo dizendo que considero esta como a minha casa por ter permanecido um lugar "imutável" (todos os outros foram passageiros), não o é de facto. Porque eu quero dizer que o meu lugar, a minha terra, o meu país, o meu mundo é algo que satisfaça todos os requisitos que eu lhe imponho (e todos sabem como eu sou exigente). De maneira que, quando começo com estas crises existenciais questionando-me onde pertenço, acabo por responder a mim mesma que "o meu lugar, a minha terra, o meu país, o meu mundo ainda estão para ser criados". Obviamente, não o serão... Portanto tenho de me resignar com uma máxima utópica (leia-se parva) de que "o meu lugar, a minha terra, o meu país, o meu mundo que ainda estão para ser criados teriam de ser criados por mim para me satisfazerem inteiramente". E onde é que eu cheguei com isto tudo?
Enfim, só anseio por uma visão extraordinária de um mundo (só meu) que possa reproduzir numa obra literária. Se a espera for longa, só peço que continue a ter substitutos (mesmo que fracos) a que as minhas exigências permitam chamar provisoriamente "o meu lugar, a minha terra, o meu país, o meu mundo".

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Lar doce lar

Finalmente escrevo-vos de Vila Nova de Gaia, naquela que eu considero a minha casa, não só porque quando for para a Universidade é aqui que vou morar, mas também porque, ao longo de toda a minha vida de mudanças, foi aquilo que permaneceu igual (ou muito parecido ao que sempre foi e representou). E sem esquecer que é aqui que vive a pessoa mais importante do mundo para mim. Já estou com a minha prima desde Segunda e vamos hoje à tarde para Valença do Minho. Já antevejo a calma, a serenidade, o sossego que emanam daquela terra. Não se faz nada lá, é verdade. Mas por um lado é isso que tanto me atrai a lá voltar sempre que posso. À falta de melhor, decidimos (eu e a minha prima) passar o dia inteiro sentadas no café (de preferência um diferente cada dia). Até porque somos duas jovens solteiras! LOL

Por aqui o tempo está lastimável. Já está assim desde que eu cheguei na Segunda, mas hoje até começou a chover. Lá se foram os planos de irmos todos os dias à praia. Começo a desconfiar que há uma conspiração cósmica com o intuito de me negar os prazeres balneares este Verão. Enquanto estive no Montijo nunca os adultos lá de casa me levaram à praia e nos dias em que programavam uma ida à Caparica eu não estava em casa porque tinha outros compromissos (uns mais importantes do que outros, mas compromissos ainda assim). Depois chego a Vila Nova de Gaia, onde supostamente posso ir à praia de autocarro com a minha prima, mas está um tempo péssimo. Em Valença, ou lá perto, só há praias fluviais, o que eu detesto, por isso vou ter de adiar a visita ao mar, à areia e ao sol para a próxima semana quando voltar para aqui. Isto é, se estiver calor...
De qualquer maneira estou com a Cris, a minha prima mais que prima, a minha amiga mais que amiga: basicamente mais que irmã. Mas uma pessoa (ou duas, neste caso) embrutece o dia todo a ver televisão, pois não temos mais nada para fazer.
Continuo, então, à espera da visita da senhora Diversão para poder avivar: a) as minhas férias; b) a minha vida; c) os meus relatos aqui no blog. Não desesperem (eu sei que quem espera desespera), pois nem que tenha de cometer alguma loucura tão contrária à minha natureza, hei-de voltar a escrever sobre algo mais interessante. Até lá, muitos beijos!

sábado, 12 de agosto de 2006

Sinal de vida

Aqui estou eu de férias em Portugal! Para ser mais precisa, estou no Alvaláxia e aproveitei para vir a um cybercafé. De outro modo não saberiam nada de mim tão cedo. Ainda não comecei a parte divertida das férias: ainda não fui à praia, ainda não fui ao norte (zona de diversão por excelência)... Por isso não tenho nada de especial para vos dizer, só queria mesmo dar a saber que estou bem.

Ainda não estou há 1 mês em Portugal e já gastei cerca de metade do dinheiro que trazia para férias. E, do dinheiro que gastei, imaginem, um terço foi em livros! Não consigo resistir... Aliás, já tive a ideia de arranjar um trabalho de férias numa livraria. Isso seria trabalhar no paraíso.
Já fui candidatar-me à universidade. Espero ansiosamente pelo dia em que saberei o resultado.
Como não tenho mais nada para dizer, despeço-me, deixando muitos beijinhos para aqueles que vêm todos os dias verificar se voltei a escrever e... para todos os outros, é claro!