Quando no último artigo disse que continuava o relato "amanhã", devia estar com problemas cronológicos devido à diferença horária entre Portugal e Luxemburgo, se pensava que hoje era o dia seguinte... Passaram 2 semanas! Peço desculpa por qualquer incómodo que possa ter causado a alguém com uma ausência tão prolongada (não é, João?). Em minha defesa tenho a dizer que foram duas semanas de loucos. Só tenho pena de estar tão atrasada em relação ao relato das mini-férias em Portugal que vai ser praticamente impossível escrever alguma coisa sobre as duas últimas semanas.
Na Sexta, dia 26 de Maio, voltei a levantar-me cedo para ir dar uma volta com a minha mãe antes de ela ir para o trabalho. Voltei para casa, fiz exercícios de Matemática ao som da Shakira: queria ter as letras na ponta da língua durante o concerto. Arranjei-me numa correria, o que fez com que deixasse queimar a margarina onde ia fritar o bife de peru para o almoço. Sem percalços de maior, saí de casa pouco depois das 14:00, com as unhas acabadinhas de pintar, para apanhar o barco das 14:30 para o Terreiro do Paço. Quando cheguei, a Tânia ainda não estava lá e mandou-me uma mensagem a dizer que estava atrasada. Meia hora depois, metemo-nos pelas ruas da baixa de Lisboa, com um mapa que eu tinha tirado da net, em busca da estação de metro do Chiado (devia parecer uma turista...). Chiado-Alameda. Alameda-Bela Vista. A seguir foi sempre a subir, num dia em que estava mais de 30ºC, até ao Parque da Bela Vista, ou Cidade do Rock, cuja entrada podem ver aqui abaixo:
Imponente, não? Assim que entrei, quem é que eu vi? O Roberto Medina, organizador do Rock in Rio. Grande coincidência! Reconhecimento rápido e superficial do território da Cidade do Rock, comi um Calippo de morango, comprei uma t-shirt de recordação, fiquei a conhecer as melhoradas instalações sanitárias do evento (em relação às de 2004, porque de resto não eram grande coisa... Coitados daqueles que foram ao Rock in Rio há 2 anos...). Por volta das 17:30 abancámos no relvado artificial do Palco Mundo, eu comendo outro Calippo de morango, para garantir um bom lugar para o resto da tarde e noite. Por volta das 18:00 levantaram-se todos que estavam na mesma situação que nós e aproximaram-se mais da barreira. Nós corremos mais para a frente e estávamos num sítio super porreiro para ver o concerto, aí a uns 5 ou 6 metros da barreira. Entrou em palco um grupo com tambores vestido de forma muito peculiar e colorida, ao som de um medley de músicas de amor. Pouco depois, a Ivete Sangalo abriu o Rock in Rio Lisboa 2006 cantando "Imagine" de John Lennon. Seguiu-se o hino do Rock in Rio, cantado também por Ivete Sangalo.
Depois de dar o arranque ao Rock in Rio Lisboa 2006, deixou o palco que estava a ser preparado para a entrada dos D'ZRT. Enquanto esperávamos, passaram 3 mini-jactos por cima das nossas cabeças! Estavam todos maravilhados. Foi pena não ter conseguido tirar uma fotografia... E eis que, por volta das 19:00, a banda que começou nos Morangos Com Açúcar dá entrada em palco. Digam o que disserem, eles podem até recorrer a um sistema de som dos instrumentos sobreposto às vozes deles para as esconderem (o motivo vou deixar subentendido...), mas dão um espectáculo incrível! Quando no Verão passado fui ao concerto deles no Montijo achei que foi uma noite muito bem passada. Não é de admirar que a actuação dos D'ZRT me tenha preparado para o resto da tarde e noite. Introduziram algumas novidades, como por exemplo, break dance, um grupo de capoeira e bailarinas (há que cativar também o público masculino, não é verdade? É simplesmente justo!). Mas o que levou as fãs ao delírio, quer dizer, qualquer rapariga ou mulher presente, já que não é preciso ser fã da banda para o que se seguiu, foi o facto do Angélico e do Cifrão terem tirado a camisola!
E realmente estava calor no meio daquela multidão. É claro que também há aquelas pessoas que não têm calor nenhum, mas decidem fazer calor aos outros. Refiro-me a uma rapariga que estava mesmo ao meu lado, completamente vestida de cabedal! Era inevitável que o meu braço direito estivesse em contacto com o cabedal e, por isso, tinha mais calor do que o necessário. Mas esperem, há mais: a rapariga tinham um cabelo enorme, numa trança que acabava num tufo como a cauda dos leões. Não foi muito agradável levar com a trança em cima de cada vez que ela dançava. Felizmente, depois da actuação dos D'ZRT, eu e a Tânia conseguimos abrir caminho e ficámos longe da rapariga do cabedal.
Por volta das 20:30 foi a vez da actuação da brasileira Ivete Sangalo. Todos tiraram o pé do chão com a mulher furacão. Por muito que eu tenha delirado com a actuação da Shakira, tenho de admitir que fui ao som de Ivete Sangalo que mais pulei. Infelizmente não consegui tirar uma única foto da cantora que ficasse bem. Todas as que tirei ou estão tremidas, ou a cara ficou deformada, ou estão muito longe... Decidi-me por esta que prova o carinho que ela tem por Portugal:
Quando terminou o concerto da Ivete Sangalo, eu e a Tânia estávamos a cerca de 2 metros da barreira! E eu já começava a criar a esperança de estar mesmo à frente quando entrasse em palco a Shakira. Até porque à minha volta via pessoas que gritavam "Jamiroquai! Jamiroquai!", o que me criou a ilusão de que estas pessoas iam embora a seguir ao concerto da banda. O meu motivo para pensar assim foi a experiência que tive após a actuação da Ivete Sangalo: aqueles que passaram o concerto dela a gritar "Ivete cadê você? Eu vim aqui só p'ra te vê!" foram-se realmente embora, assim que viram que ela não voltaria mais ao palco. Enquanto esperávamos pelos Jamiroquai, estávamos já cansadas de estar em pé e era impossível sentarmo-nos. Resultado: depois do cantor entrar em palco, por volta das 22:15, pouco mais fiz do que bater palmas no fim de cada música. Ah! E tirar algumas fotografias, claro.
Por volta das 23:20, depois de ter cuspido para o palco algumas vezes, o cantor saiu do palco e eu comecei a sentir aquele formigueiro na barriga só de pensar que pouco faltava para ver a Shakira. Afinal de contas, foi apenas por ela que eu fiz esta viagem. Infelizmente não consegui ficar à frente de tudo, mas tinha só 2 pessoas entre mim e a barreira! Curiosamente, quanto mais me aproximava da barreira, ao longo de toda a noite, menos via para o palco. Mas como eu até merecia isto, quando a Shakira entrou em palco por volta das 00:15 e depois de já nos ter feito esperar meia hora, apesar de estar mais à frente do que nunca, conseguia ver o concerto lindamente! Quando ela entrou cantando "Estoy aquí", senti-me tremer por todos os lados, e, apesar de (confesso!) só saber as músicas dela desde que lançou "Laundry Service", lá fui trauteando o refrão desta música da diva. Seguiu-se "La Tortura", eu cada vez mais cheia de emoção, pude finalmente libertá-la cantando a plenos pulmões a letra que me forcei a decorar numa noite há meses atrás. E, claro, também dancei. Estão a perguntar-se "como?"; no meio daquela multidão apertadinha era difícil, de facto. Mas eu simplesmente não me controlei e dancei livremente, sem prestar muita atenção se saltava para cima das pessoas... "Don't bother". Depois "Underneath Your Clothes" conseguiu o inevitável: vieram-me as lágrimas aos olhos e ainda hoje me arrepio só de pensar nesse momento mágico em que também ela chorava! "Hey You", uma música mais recente, deixou-me orgulhosa por ser das poucas pessoas que sabiam a letra. "Hips Don't Lie" foi a música seguinte. O público ficou ao rubro! Eu só pedia que o concerto demorasse a noite toda quando a presença dela em palco atingiu o máximo em "Whenever Wherever", isto já depois de músicas como "How do you do" (em que ela até cantou de joelhos!) e "No" (onde ela voltou a chorar enquanto libertava a sua alma). Terminou o concerto. Todos gritavam por ela pedindo que cantasse mais uma música. E ela foi a única dessa noite que acedeu ao pedido, voltando para cantar "Ciega, Sordomuda". Infelizmente depois dessa foi a despedida... 
E eu fui-me embora, a minha mãe já nos esperava ao pé da estação do metro da Bela Vista. Mas tinha desejos de mais um Calippo de morango, estava cheia de sede e de calor. Infelizmente já não havia, estavam esgotados... Foi difícil encontrar a minha mãe e o Bruno no meio da massa que, indignada, esperava que abrissem a estação de metro da Bela Vista para poderem ir para casa. Quando os encontrei só me alegrava pensar que ia para casa dormir.
Prometo não demorar tanto tempo a voltar aqui para escrever o resto das mini-férias em Portugal. Até lá, beijos!